quarta-feira, 23 de abril de 2014

5 ideias para cultivar hortas com temperos e vegetais em casa

Cultivar uma horta rende, pelo menos, três vantagens: espécies frescas para a culinária, um toque verde ao ambiente e uma terapia relaxante.

Um canto ensolarado é requisito básico para ter uma horta, orgânica ou não. A escolha do que plantar depende do espaço. Em apartamentos, melhor adotar vasinhos de ervas aromáticas (hortelã, alecrim e sálvia) ou condimentadas (salsão e tomilho). Quintais e sacadas permitem vasos grandes ou jardineiras com hortaliças, entre elas rúcula e tomate-cereja. O segredo é regar diariamente na medida, pela manhã, antes de o sol incidir diretamente: "Pegue um pouquinho de terra e aperte. Se grudar na mão, é porque a planta já tem água suficiente", explica Marcelo Noronha, engenheiro agrônomo e consultor da empresa Minha Horta, de São Paulo. É fundamental que haja boa drenagem. Para isso, cubra 1/3 do vaso com argila expandida e, sobre esse fundo, acrescente uma mistura de areia e terra, completando os outros 2/3. Drible pragas e fungos afofando a terra a cada 15 dias: as raízes ganham espaço para crescer, tornando a planta mais resistente a agressões externas.
Não há quem entre no restaurante português Tasca da Esquina, na capital paulista, sem se surpreender. Acima de uma base de tijolos, jardineiras com acabamento de madeira de demolição enchem de verde a parede principal. "A horta está longe de suprir o consumo do restaurante, mas transformou-se em uma solução prática para oferecer temperos frescos", conta Mônica Lauretti, paisagista que assina o projeto. Como o ambiente é interno, bolou-se um teto retrátil, que capta a necessária luz natural. "Essa medida assegura o fortalecimento das plantas", diz a paisagista. Encaixados nas jardineiras, os vasos de cebolinha, manjericão, pimenta, almeirão e outras espécies são umedecidos por um sistema de irrigação automatizado, como explica Mônica: "Vamos adequando a rega às condições climáticas de cada época". Já que o uso na cozinha é esporádico, poucas são as folhas colhidas. Em situações assim, o consultor Marcelo Noronha lembra que é importante cuidar da aparência do conjunto, evitando que revele falhas.
A ideia de mexer com a terra animou a empresária de moda Fabiana Avellar e seu namorado, Ricardo Infante, moradores de um sobrado em São Paulo. Eles planejaram a horta com vasos grandes e uma espaçosa caixa de madeira. "Isso aqui é um local de treinamento. Queremos morar em uma casa maior e plantar muitos orgânicos para consumo próprio", conta Fabiana. O preparo dos recipientes levou argila, terra e húmus de minhoca, um adubo natural. Outra opção é o esterco de vaca. Um regador umedece a terra sem encharcá-la. Na caixa vão alguns temperos - manjericão, tomilho, orégano e alecrim - e hortaliças, a exemplo de alface, rúcula, beterraba e almeirão. "A necessidade de água é bem parecida, ainda que o ideal seja separá-los", diz Fabiana. Já salsinha, erva-cidreira, cebolinha e hortelã ficam separadas em vasos. "Assim posso movimentá-los para garantir sol constante." Apesar de todos os cuidados, o manjericão já pegou um fungo. O casal mudou o vaso de lugar e aplicou repelentes naturais, que resolveram o problema.
Em uma esquina na zona oeste de São Paulo, quatro jardineiras grandes e bem frondosas chamam a atenção na rua. A ideia foi de Manoel Rocha Alves, proprietário do restaurante Via Castelli. "No início, há cerca de 30 anos, quem quisesse podia levar uma hortaliça fresca para casa, mas hoje elas são destinadas a projetos educativos", explica Roberto Barbosa Fernandes, gerente da casa e responsável pela manutenção da horta. Entre mudas de cebolinha, hortelã e alecrim, também há rosas e margaridas. A preparação das jardineiras inclui uma camada de argila expandida coberta com terra adubada, comprada pronta. Totalmente orgânica, a horta só sofreu com pragas uma vez. "Tivemos de jogar fora as mudas de brócolis e remontar alguns vasos, para não perder o restante", conta Roberto. Como a calçada é de responsabilidade do dono do imóvel, ele pode fazer uma horta ali. Mas não pode prejudicar a circulação de pedestres e tem que manter o espaço.
Nesta área externa, manjericão, orégano, alecrim, cebolinha, salsa e outros nove temperos frescos estão sempre ao alcance dos moradores. "Além de embelezarem o espaço, deixam na comida um aroma muito superior ao das ervas secas", defende o paisagista paulistano Gilberto Elkis, autor do projeto. A composição também inclui espécies não comestíveis. Os vasos de cerâmica receberam terra para jardim e composto orgânico. Elkis optou por mudas, que têm maior probabilidade de florescer do que as sementes. Retiradas pela raiz, as ervas vão sendo substituídas por novas mudas, o que encurta a espera até a próxima colheita. Em épocas de calor intenso, a rega acontece duas vezes ao dia. Já no inverno, apenas uma vez. Para evitar pragas e manter os temperos frescos, a manutenção acontece semanalmente, com a retirada das folhas doentes.
Quem visita o Quintal dos Orgânicos, na zona oeste de São Paulo, observa um modo criativo de arrumar os vasos, vendidos a R$ 4,80 cada um. "Foi o jeito sustentável de dar novo uso às caixas que são utilizadas no transporte de produtos. E ainda conseguimos um jeito prático de cuidar de todas as mudinhas", conta Nardi Davidsohn, administrador do espaço e idealizador da ideia. As ervas aromáticas são as mais procuradas. Entre os vasos, é possível encontrar pimentas, manjericão-roxo, salsa e alecrim. Na loja, as espécies recebem luz por cerca de três horas diárias - e Nardi recomenda que a rotina seja mantida na casa do cliente. Também dá orientação sobre a rega: "Se a planta ficar muito úmida, pode ter seu crescimento prejudicado e até desenvolver fungos". Como nenhuma plantinha está a salvo de pragas, é importante encontrar produtos que não as prejudiquem e reduzam os danos. Nardi aconselha usar o óleo de Neem, que é natural e pode ser pulverizado diretamente nas folhas.

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